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Wed, 19 Feb 2020 17:22:42 -0300 / 0 Comentários

Justiça determina prisão preventiva de professor de colégio de elite acusado de captar imagens íntimas de alunas em SP

Homem é acusado de ter filmado alunas em sala de aula e armazenado as imagens de pornografia infantil em casa e no colégio.

A Justiça de São Paulo decretou a prisão preventiva de Ivan Secco, detido nesta terça-feira (18) em uma operação contra pornografia infantil. Professor de um colégio de elite na Zona Oeste de São Paulo, ele é acusado de produzir e armazenar pornografia infantil.

Nesta quarta-feira (19), Secco foi submetido à audiência de custódia e o juiz decidiu converter sua prisão flagrante em preventiva. Agora, ele será encaminhado para um centro de detenção provisória.

Segundo os investigadores, o professor de história e de teatro teria captado imagens íntimas de meninas de 12 a 12 anos de idade em sala de aula, vestindo a saia do uniforme escolar, por meio de câmeras camufladas em caixas de remédios com pequenos furos.

O professor foi preso em flagrante por produzir pornografia infantil. Além da produção, o armazenamento e o compartilhamento de material pornográfico de crianças também são crimes. Por ser acusado de cometer um crime cuja pena é de reclusão de mais de quatro anos, não foi determinado um valor de fiança para a soltura do suspeito.

Captação de imagens íntimas

De acordo com a polícia, as imagens das alunas eram feitas pelo professor há pelo menos três anos.

"Essas câmeras eram colocadas embaixo da carteira, se alguém olha é uma caixa de medicamento, no chão, e ele faz com que elas passem, elas se abaixavam achando que era algum tipo de exercício corporal pra se soltar no teatro", diz Ivalda Oliveira Aleixo, delegada da Divisão de Capturas.

"Ele simulava uma peça de teatro pra pegar a melhor posição com as caixinhas de remédio que ele espalhava por ali", completa o delegado do Departamento de Operações Policiais Estratégicas, Osvaldo Nico Gonçalves.

Os vídeos e fotos eram armazenados em dois notebooks, HDs externos, pen drives e na câmera utilizada para as filmagens ao longo de três anos. Preso em casa, o suspeito informou que as gravações foram feitas no colégio e indicou a sala de aula onde lecionava, onde foi encontrada uma parte do material usado para a produção e armazenamento das imagens. Segundo a polícia, os diretores do colégio acompanharam a busca na sala de aula, que seria de uso exclusivo do professor detido.

De acordo com a a delegada que cumpriu o mandado de busca e apreensão na casa do professor, ele chegou a pegar uma tesoura quando viu a polícia. Ele confessou que era doente e que tinha muito material na escola, ainda segundo a responsável pelo caso.

Escola se manifesta

Em nota, a St. Nicholas School afirma que o professor "está definitivamente afastado do quadro docente" e que os fatos "não isentam a St. Nicholas School de rever seus processos internos e aferir suas possíveis falhas - com senso crítico acurado na busca de maior segurança para todos" (veja a íntegra da nota abaixo).

Em grupos de WhatsApp de pais de alunos circula um comunicado no qual a escola afirma ter sido "surpreendida por uma operação policial de investigação de pedofilia que prendeu um professor da unidade de Pinheiros."

O comunicado aos pais diz ainda que o colégio se colocou "à disposição das autoridades para colaborar amplamente com as investigações" e que "foi aberta uma sindicância interna para apurar informações complementares."

"Com relação à comunidade de alunos, a escola já conversou com professores e crianças e nossas portas estão abertas aos pais para conversarmos com quem desejar. Nós estamos em choque e nos comprometemos a entender o que aconteceu e oferecemos apoio incondicional a toda a comunidade", afirma o comunicado.

Operação contra pornografia infantil

Policiais de 12 estados do Brasil e de mais quatro países começaram a cumprir na manhã desta terça-feira (18) 112 mandados de busca e apreensão na sexta fase da Operação Luz na Infância. O objetivo é combater a pornografia infantil e a exploração sexual de crianças e adolescentes.

Até as 11h30, último balanço divulgado pela operação, 38 suspeitos haviam sido presos em flagrante e 187 mil arquivos foram levados para análise.

A força-tarefa, coordenada pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública, busca materiais com conteúdo relacionado ao crime de exploração sexual praticado contra menores de idade. Ao todo, 579 agentes estão nas ruas.

Veja a íntegra da nota da St. Nicholas School:

A St. Nicholas School, em respeito aos seus alunos, pais e professores, bem como à sociedade, cumpre o dever de esclarecer que:

1.No âmbito policial, as autoridades vêm conduzindo as investigações referentes aos fatos envolvendo um professor dessa instituição. E a escola tem prestado o apoio irrestrito às apurações e esclarecimentos sobre o que é do seu conhecimento.

2.O professor, objeto das investigações, está definitivamente afastado do quadro docente diante dos fatos já apurados.

3.A escola se sente surpreendida pelos acontecimentos uma vez que – assim como as demais – adota procedimentos e práticas criteriosas na contratação dos seus profissionais.

4.Apesar disso, hoje em dia, todas as instituições estão vulneráveis a atitudes decorrentes de desequilíbrios individuais, as quais, por suas características dissimuladas, são difíceis de serem previstas e identificadas.

5.Tais fatos, todavia, não isentam a St. Nicholas School de rever seus processos internos e aferir suas possíveis falhas - com senso crítico acurado na busca de maior segurança para todos. Novos procedimentos serão implantados.

6.A escola é sensível ao impacto causado pelos fatos em seus alunos, pais, professores e demais profissionais. Exerce, com transparência, um diálogo permanente com vistas a esclarecer e manter o bom seguimento das suas atividades educacionais.

A St. Nicholas School reitera seu compromisso com a honestidade e transparência ética. E não deixará de comunicar às autoridades policiais sobre todos os fatos novos que possam surgir no decorrer da sindicância interna que está promovendo.

Por César Galvão e Robinson Cerântula, TV Globo e G1 SP — São Paulo

19/02/2020 17h11 Atualizado há 10 minutos