Coronavírus: cearense que mora na China deixará país 'até que a situaç

Thu, 30 Jan 2020 15:51:07 -0300 / 0 Comentários

Coronavírus: cearense que mora na China deixará país 'até que a situação fique sob controle'

Cidades em alerta, incerteza de informações e esgotamento de produtos higiene levaram o tradutor a decidir viver temporariamente em Portugal.

O crescente número de casos confirmados no mundo do novo coronavírus, do tipo 2019-nCov, levou o tradutor cearense Lucas Dasaieve, de 29 anos, à decisão de sair da China, onde mora há quase três anos. Ele, que é natural de Limoeiro do Norte, sairá da cidade de Shenzhen, nesta sexta-feira (31), para viver em Portugal “até que a situação fique sob controle”.

Pelo menos 170 pessoas já morreram no país pelo coronavírus, que já infectou mais de 8 mil pessoas em todo o mundo, em 19 países. Ainda não há registro de mortes fora da China. No Brasil, são investigados 9 casos suspeitos, segundo o Ministério da Saúde - um deles no Ceará.

“O que me levou a sair é a incerteza das informações. O Governo achou que ia controlar tudo até domingo (26), mas estenderam o feriado de Ano Novo por mais 10 dias. Meu receio é continuarem estendendo esse prazo e eu ficar só Deus sabe quantas semanas trancado em casa, correndo risco. Algumas cidades também estão bloqueadas, mas não sei se a minha vai”, conta.

Shenzhen fica a cerca de mil quilômetros de Wuhan, epicentro da transmissão. Segundo Lucas, após a divulgação rápida de notícias e de orientações do Governo chinês, os estoques de álcool, máscaras e luvas descartáveis se esgotaram rapidamente nas farmácias. No entanto, relata, alguns chineses se aproveitaram da situação para revender os insumos a preços bem mais caros.

Lucas vive na China há quase três anos. Na foto, o tradutor na cidade de Zhuhai — Foto: Arquivo pessoal

Lucas vive na China há quase três anos. Na foto, o tradutor na cidade de Zhuhai — Foto: Arquivo pessoal

“Consegui comprar logo no primeiro dia, mas tive que ir em cinco farmácias. Hoje, raramente você consegue. Na minha cidade, que é a quarta maior da China, não encontro mais em lugar nenhum”, afirma. Os estoques de lojas de produtos paramédicos também foram requisitados para Wuhan, “o que complicou” a situação.

Hábitos de higiene

O tradutor diz que passa a maior parte do dia em casa. Só sai mesmo para comprar comida - que não está em falta nos supermercados. Na rua, os cuidados são redobrados. “Tento cobrir o corpo o máximo que eu posso. Coloco jaqueta longa por cima, casaco, luvas, gorro e levo um tubinho de álcool em spray para se precisar tocar em campainhas ou maçanetas”, detalha.

Contudo, Lucas considera que os chineses não têm os mesmos hábitos de higiene dos brasileiros. Os estrangeiros só começaram a utilizar máscaras após comunicados oficiais e a veiculação de vídeos orientando a como usá-las. “Mesmo assim, alguns ainda não entendem que a máscara não é para proteger só a eles, mas a outras pessoas. Quando vão espirrar ou tossir, eles tiram”, conta. “Isso está mudando porque o Governo teve que ameaçar prender e tirar pessoas à força do metrô que estivessem sem máscara”.

Para o cearense, as perspectivas não são otimistas. Atualmente, a China ainda vive o período de Ano Novo, quando grande parte dos chineses viaja às cidades-natais para reencontrar as famílias. “Quando passar o feriado, todo mundo volta e muitos vão espalhar os casos em todas as áreas do país”, acredita Lucas, que tem três amigos que viajaram a locais próximos a Wuhan.

Por Nícolas Paulino, G1 CE

30/01/2020 15h02 Atualizado há 48 minutos